No contato diário com as crianças e os seus cuidadores surgiu a vontade de criar um blog que pudesse ajudar todos aqueles que se dedicam a cuidar de crianças, a cumprir essa dura e exigente tarefa da melhor forma possível.

Por isso, aqui vai encontrar informações básicas, conselhos e curiosidades sobre o universo de saúde da criança, desde os primeiros cuidados, às doenças mais comuns, passando pela vacinação e alimentação. O objetivo é que este seja um cantinho de reflexão, educação e troca de experiências, que forneça pistas e truques úteis ao acompanhamento da criança desde a conceção à emancipação.

De referir que, além do espaço de comentários no final de cada publicação, foi criada uma área independente, “O Cantinho das Dúvidas”, onde pode expor as suas questões ou sugerir novos temas a abordar.

Dada a enorme diversidade que existe de médico para médico, de mãe para mãe e de criança para criança, os textos aqui publicados pretendem apenas ser mais uma sugestão e uma ajuda, não devendo ser interpretados como regras rígidas a seguir. De sublinhar que nenhuma das informações, comentários ou respostas emitidos neste site substitui a consulta presencial com o médico assistente da criança.

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sábado, 10 de agosto de 2013

O Sono do Bebé/Criança

Quanto é que um bebé/criança precisam de dormir?
A dúvida sobre a quantidade de sono adequada para um bebé é provavelmente uma das mais frequentes na cabeça dos pais. Para ter uma ideia, deixo aqui uma tabela com o n.º médio de horas de sono da criança por idade. Só não se esqueça de que cada bebé é um bebé, e alguns chegam a dormir até duas horas a mais ou a menos que outros.

Idade
Durante a noite
Durante o dia
Total
1 Mês
8h
7h (3 sonecas)
15h
3 Meses
10h
5h (3 sonecas)
15h
6 - 9 Meses
11h
3h (2 sonecas)
14h
12 - 18 Meses
11h
2h (2 sonecas)
13h
2 Anos
11h
2h (1 soneca)
13h
3 Anos
10h
1h (1 soneca)
11h

Será que é normal um bebé acordar tanto à noite?
Sim, acordar durante a noite é uma parte natural do ciclo de sono. Normalmente, passamos por fases de transição entre a vigília e o sono, depois pelo sono leve, o sono com sonhos e finalmente o sono profundo. Cada um desses ciclos dura aproximadamente uma hora e meia, e tanto adultos como crianças completam, em média, cerca de cinco deles por noite. Geralmente, não nos chegamos a lembrar que acordámos porque simplesmente mudámos de posição, reajustámo-nos na almofada e voltámos a dormir.

Será que é normal um bebé ter muita dificuldade em adormecer à noite?
Sim, é muito variável de bebé para bebé mas pode acontecer, sobretudo até serem criadas e estabelecidas rotinas de sono.

Algumas dicas sobre rotinas de sono a estabelecer...
Distinga a hora de comer matinal da noturna: Deixe a brincadeira e a conversa para durante o dia, já que as mamadas da noite devem ser tranquilas. Ajude o corpo do seu bebé a entender a diferença entre dia e noite e entre hora de brincar e de dormir.

Deixe o bebé adormecer sozinho: Lembre-se de que isso não funciona com recém-nascidos, mas com crianças a partir dos dois meses de idade. Coloque o bebé no berço quando ele estiver sonolento, mas ainda acordado.

Estabeleça um ritual para o sono da noite: Não precisa de ser nada complicado. Basta dar um banhinho, trocar a fralda, colocar o pijama, ler uma história ou cantar uma música. Vale a pena terminar no próprio quarto do bebé, para ele aprender que aquele é um lugar “bom” para ficar/estar.

Ofereça um objeto de conforto: São as famosas fraldas ou bonecos de peluche. Uma ótima forma de transformar uma fralda ou um boneco num companheiro favorito é deixando-o próximo a si para que absorva o seu cheiro. Os bebés têm um bom olfato, e quando se assustam sozinhos à noite muitas vezes conseguem acalmar-se ao sentir o cheiro da mãe.

Deixe o bebé chorar um bocadinho: Isto só se aplica a crianças com mais de quatro ou cinco meses. Se o seu filho começar a chorar depois de o colocar no berço, vá até lá, faça um miminho, assegure-lhe que está tudo bem mas que chegou a hora de dormir. Seja gentil, mas firme. Saia do quarto e espere dois a cinco minutos para regressar. Verifique que está tudo bem e saia novamente. Repita o processo até o bebé adormecer, aumentando progressivamente o intervalo. Este é um método polémico e que não agrada a todos mas é uma questão de experimentar.

Partilhe a responsabilidade de confortar o bebé: À medida que o bebé cresce pode ser confortado também pelo pai. Isto ajuda-o a aceitar que não há mais leite materno a caminho, muito útil em bebés com o “vício” da mama!

Vá gerindo o horário das sonecas do bebé: Gerir o horário das sonecas do bebé é essencial. Reserve o começo da manhã e da tarde para as sonecas e, à medida que seu bebé crescer, deixe-as para logo depois do almoço, de modo a haver um intervalo grande até à hora de dormir à noite.

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Diversificação Alimentar 9-12 MESES

Gema de ovo:
A partir dos 9 meses, podemos  introduzir a gema de ovo, começando por introduzi-la na sopa, em substituição da carne. Começamos com ¼ de gema cozida na primeira semana. Na semana seguinte aumentamos para ½ gema. Na semana seguinte damos ¾ de gema de modo que, ao fim de 4 semanas o bebé estará a fazer pela primeira vez a gema completa. Atenção: até aos 12 meses não dar mais de 1 gema/semana e não iniciar de modo algum a clara, de forma a prevenir alergias potencialmente graves.




Sopa:
A partir dos 9 meses, o espinafre, o tomate, o nabo e a ouve já podem ser dados na sopa. A partir dos 11 meses dão-se as leguminosas (feijão, grão, ervilhas e lentilhas) gradualmente e em pequenas quantidades, podendo ser adicionadas à sopa ou dadas separadamente.





Nota:
Em caso de alergia ao peixe ou à gema do ovo, voltar a tentar a sua introdução só a partir dos 12 meses e em quantidades pequenas! É importante realçar que nesta fase se deve encorajar a criança a provar os novos alimentos, mas não a forçar, pois é normal a recusa de alguns alimentos. Devem experimentar-se diferentes combinações, texturas e métodos culinários. A título de exemplo: 1) em vez de dar ao bebé a sopa com peixe, dar o peixe, a batata e a cenoura em pequenos pedaços ou esmagadas com um garfo; 2) dê ao bebé palitos de cenoura para ir chupando ou roendo; 3) deixe-o mexer com as mãos na comida… Não se esqueça que experimentar passa também por cheirar, tocar, brincar… E quanto mais divertida for esta fase, para si e para o seu filho, melhor! Deve-se também iniciar o treino de beber pelo copo e de dar a colher para a mão: inicialmente não os vai utilizar mas com o tempo vai-se apercebendo da sua utilidade.

Diversificação Alimentar 6-9 MESES


Fruta Natural:
A partir dos 6 meses, a sobremesa de fruta já poderá incluir: pêssego, alperce, ameixa, melão, meloa, melancia e manga. A regra dos 3 a 5 dias deve continuar a ser respeitada, pode ser dada crua, triturada, cozida ou assada, e continua a ser proibido juntar açúcar ou outros adoçantes.







Papas com Glúten (“Rabo no chão, pão na Mão”):
A partir dos 6 meses pode iniciar as papas com glúten (trigo, centeio, aveia e cevada). Uma vez tendo experimentado, pode oferecer ao bebé pão ou bolachas (maria ou específicas para a idade), sempre com o cuidado de vigiar engasgamentos!





Iogurte:

A partir dos 6-7 meses podemos também introduzir o iogurte.O iogurte natural (sem adição de açúcar ou natas) será a melhor opção, já que os “iogurtes para bebés” têm, muitas vezes, grandes quantidades de açúcar e não trazem nenhum benefício. Deve ser dado ao lanche, como alternativa à papa, sendo que se podem fazer algumas combinações interessantes: (iogurte + peça de fruta) OU (iogurte + 2 bolachas trituradas).


Peixe:
A partir dos 7-8 meses, caso não haja história de alergia familiar, podemos introduzir o peixe. Introduz-se também na sopa do bebé, que nesta altura já deverá ser mais granulosa (menos passada e menos líquida), para o bebé se ir habituando a texturas diferentes. As melhores opções serão a pescada, o linguado, a solha e a faneca, sempre peixe de boa qualidade (fresco – se tivermos a certeza que o peixe é mesmo fresco – ou, em alternativa, melhor e mais seguro, ultracongelado). A introdução do peixe deve fazer-se de forma gradual, seguindo o exemplo da carne quer em termos de quantidades quer termos de preparação/utilização.

Nota: Por esta altura o bebé deverá estar a fazer 1) almoço - sopa de legumes com carne + fruta; 2) lanche - papa com glúten OU 1 peça de fruta + 2 bolachas trituradas com ou sem iogurte; 3) jantar - sopa de legumes sem carne (simples ou com peixe) + fruta. As restantes refeições deverão ser de leite.

domingo, 4 de agosto de 2013

Natação para bebés: porquê, para quê e quando?


Quando matriculam os seus filhos na natação, a maioria dos pais têm geralmente em mente ensinar o filho a nadar. O que muitos não sabem é que as vantagens vão muito além disso, dado que a criança, sobretudo nos primeiros anos de vida, passa por um processo intenso de desenvolvimento e maturação que pode ser auxiliado e estimulado com a natação.

O bebé está adaptado ao meio líquido desde a barriga da mãe pelo que pode exibir uma performance que encanta e até surpreende quem assiste a uma aula de natação para crianças. O contato com a água ainda nos primeiros meses de vida favorece a saúde e proporciona momentos de prazer e de descoberta! Sob os cuidados de profissionais treinados, os bebés são capazes de executar diversos movimentos natatórios, demonstrando uma série de reflexos, comuns na primeira infância. Tudo através de estímulos esterioceptivos, ou seja, de atividades que facilitam o desenvolvimento do tato, audição, visão e olfato.
Recomenda-se a partir dos 6 meses, altura em que o bebé já cumpriu parte importante do esquema vacinal e já controla bem a cabeça e se senta sozinho. Por volta dos 8 meses, o bebé é capaz de controlar o movimento passivo e boiar. Dos 13 aos 14 meses os seus movimentos aumentam, flutua de bruços, consegue direcionar-se e procura as bordas para sair da piscina. Dos 14 aos 24 meses, controla bem os seus movimentos e muda de direção. Começa a saltar e faz brincadeiras.
A natação proporciona aos bebés benefícios físicos, orgânicos, sociais, terapêuticos e recreativos, melhora a adaptação à água, aprimora a coordenação motora e aumenta a resistência cardiorrespiratória e muscular. Pode ajudar também a tranquilizar o sono, estimular o apetite, melhorar a memória e prevenir algumas doenças respiratórias.

No entanto, há certos cuidados a ter!

  • As aulas devem ter menor duração (entre 30 e 45 minutos) uma vez que o sistema termorregulador do bebé ainda não se encontra bem desenvolvido.
  • O programa nacional de vacinação deve estar atualizado.
  • As condições das piscinas devem ser apropriadas: higiene (boa renovação de ar; temperatura (28-32ºC) e pH (7,2-7,8) da água adequadas), segurança (número suficiente de objetos com diferentes cores, tamanhos e formatos) e conforto (o horário da aula não deve coincidir com os horários do sono e alimentação da criança).
  •  A natação apresenta algumas contraindicações, na maioria dos casos passageiras, como gripes e inflamações.
  • Outro problema comum em bebés é a alergia ao cloro. No entanto, está-se a começar a usar cloro orgânico ou sal no tratamento das piscinas, o que evita as reações alérgicas.

Como lavar, esterilizar e preparar o biberão do bebé?


Que cuidados de higiene se devem ter com o biberão?

A preparação do biberão requer alguns cuidados que se deve ter em atenção.
Antes de preparar o biberão lave cuidadosamente as mãos. O biberão, a tetina e a colher doseadora devem estar esterilizados. Se não tiver estes cuidados a contaminação por microrganismos pode provocar doenças ao seu bebé.
Após cada utilização, passe todas as peças por água, esfregue as tetinas no interior e exterior, e passe novamente por água. Force a água a passar pelo orifício da tetina, de forma a assegurar que não ficam resíduos. Assim que todas as peças estejam bem limpas, podem então ser esterilizadas.

Como esterilizar o Biberão?

Métodos de esterilização:
·         Fervura - coloque os biberões, as tetinas, a colher doseadora e os restantes utensílios em água, numa panela utilizada só para o efeito, entre 10 a 20 minutos.
·         Esterilização a vapor - num aparelho específico, os biberões, as tetinas e restantes utensílios a esterilizar são envoltos em vapor de água a uma temperatura de 95-97ºC.
·         Esterilização a vapor no micro-ondas - num aparelho próprio para levar ao micro-ondas, em poucos minutos os biberões, as tetinas e restantes utensílios são também esterilizados com vapor.

Como preparar o biberão?

Fórmula Infantil (leite em pó)
     1.       Ferva água potável durante 3 a 5 minutos;
     2.       Deixe arrefecer um pouco a água;
     3.       Verta a quantidade correta no biberão;
     4.       Para cada 30 ml de água adicione 1 colher rasa de leite em pó;
     5.       Respeite sempre as quantidades de leite em pó a utilizar;
     6.       Nunca encha a colher medidora acima da medida;
     7.       Não pressione o leite em pó na colher para caber mais;
     8.       Por fim, agite de modo a homogeneizar o leite, teste a temperatura e dê-o ao bebé.
É muito importante respeitar sempre as medidas de água e leite em pó, de modo a não dar ao seu bebé um leite diluído (e, como tal, insuficiente para alimentá-lo) ou muito concentrado (e, como tal, capaz de lesar alguns órgãos importantes, p.ex. os rins).

Leite Materno
O leite materno, independentemente de estar congelado ou apenas refrigerado, deve ser aquecido em banho-maria num biberão previamente esterilizado. Não deve ser aquecido no micro-ondas de 
modo a evitar que se percam algumas propriedades importantes. 

sábado, 3 de agosto de 2013

Obstipação no primeiro ano de vida

1. O que é a obstipação (prisão de ventre)?
A obstipação não é mais do que a prisão de ventre. Pode ter múltiplas causas, desde lesões anais, neurológicas, endocrinológicas, metabólicas e medicamentosas (suplementos de ferro e/ou de vitamina D) mas a verdade é que em 90-95% dos casos é idiopática, ou seja, de causa desconhecida. Estima-se que 3% dos bebés apresentem obstipação, sendo esta responsável, segundo alguns estudos, por 3% a 5% das consultas de pediatria geral e 35% das consultas de gastroenterologia pediátrica.

2. Como devem proceder os pais? Que tratamentos são recomendados? Os laxantes, os clisteres e os supositórios de glicerina estão incluídos nesta lista?
Apesar de ser variável, regra geral, nos primeiros dias de vida o recém-nascido evacua a cada mamada. Com o tempo, isto vai mudando e o n.º de evacuações por dia vai diminuído. Há bebés que passam a fazer uma vez por dia e outros que se mantêm durante muito tempo com várias evacuações diárias. Quando surge a dificuldade em evacuar o importante é estar atento aos sinais: o bebé faz força, fica vermelho e chora intensamente, apesar das fezes até muitas vezes serem semilíquidas/coalhadas. Trata-se de uma descoordenação entre o ânus e o reto: o bebé faz força para evacuar mas, por imaturidade, o esfíncter anal não abre. Costumo dizer aos pais que a ajuda a estes bebés deve ser feita através de uma série de degraus de tratamento que vamos subindo ou descendo, consoante as medidas forem ou não resultando:




  • Massagens na barriga, com movimentos no sentido dos ponteiros do relógio e/ou de cima para baixo; o ideal é fazê-las todos os dias e numa altura em que o bebé esteja relaxado, pois a massagem, além de permitir um momento de interação com os pais, surte mais efeito se for feita de forma preventiva e não apenas no momento em que queremos que o bebé evacue;
  • Movimentos firmes de flexão e extensão das pernas e coxas sobre a barriga (tipo “bicicleta”); as indicações são as mesmas que as das massagens;
  • Estimulação do esfíncter anal, sempre com cuidado; pode ser feita de diferentes formas, consoante o nível de obstipação - através de uma toalhita tocando no esfíncter ao limpar; da ponta de um cotonete hidratada com creme/vaselina; ou de uma cânula de Bebegel® lavada, cortada e untada com creme/vaselina; caso nenhuma destas medidas surta efeito deve ser utilizada a cânula do Bebegel® com o seu conteúdo.

  • Na maioria dos casos, e a menos que o bebé não evacue mesmo, não estão indicados outros tratamentos. 
    A partir do quarto-sexto mês, com o início da diversificação alimentar, a dieta do bebé surge como uma importante ajuda na resolução da obstipação. A ingestão de água é essencial e deve ser incentivada (nunca em substituição de uma refeição mas como complemento). A ingestão de algumas frutas (ex.: manga, papaia, ameixa) em detrimento de outras (ex.: banana) é aconselhável. O incentivo à ingestão de purés de legumes (muito ricos em fibras) e outros “truques” como o acrescentar azeite cru a esses purés após a cozedura são também importantes!
    Nos poucos casos em que as medidas anteriores não forem suficientes, ou se tiver dúvidas, deve recorrer ao médico assistente do seu bebé. Isto porque é possível iniciar fórmulas infantis (leites em pó) anti obstipantes e, eventualmente, laxantes e clisteres, mas regra geral só após se confirmar que existe mesmo uma obstipação, que esta não é causada por nenhuma doença orgânica com tratamento específico, e se excluir as causas iatrogénicas (obstipação causada por um tratamento/medicamento).

    3. Em que consiste o diagnóstico feito pelo médico? O bebé é submetido a que exames?

    Na maioria dos bebés, a história clínica e o exame objetivo permitem o diagnóstico. Contudo, em situações mais resistentes e crónicas pode ser necessário referenciar a consultas mais específicas, nomeadamente de gastroenterologia pediátrica, e/ou realizar exames complementares de diagnóstico (ex.: radiografia simples do abdómen, clister opaco, biópsia) variáveis caso a caso.