No contato diário com as crianças e os seus cuidadores surgiu a vontade de criar um blog que pudesse ajudar todos aqueles que se dedicam a cuidar de crianças, a cumprir essa dura e exigente tarefa da melhor forma possível.

Por isso, aqui vai encontrar informações básicas, conselhos e curiosidades sobre o universo de saúde da criança, desde os primeiros cuidados, às doenças mais comuns, passando pela vacinação e alimentação. O objetivo é que este seja um cantinho de reflexão, educação e troca de experiências, que forneça pistas e truques úteis ao acompanhamento da criança desde a conceção à emancipação.

De referir que, além do espaço de comentários no final de cada publicação, foi criada uma área independente, “O Cantinho das Dúvidas”, onde pode expor as suas questões ou sugerir novos temas a abordar.

Dada a enorme diversidade que existe de médico para médico, de mãe para mãe e de criança para criança, os textos aqui publicados pretendem apenas ser mais uma sugestão e uma ajuda, não devendo ser interpretados como regras rígidas a seguir. De sublinhar que nenhuma das informações, comentários ou respostas emitidos neste site substitui a consulta presencial com o médico assistente da criança.

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sábado, 17 de agosto de 2013

Terrores Noturnos... Que medo!





Os terrores noturnos são comuns nas crianças entre os 18 meses e os 6 anos, visto ser a fase da vida em que estas dormem mais profundamente. As primeiras vezes que os pais se confrontam com um episódio são assustadoras, uma vez que observam o seu filho a acordar em sobressalto, uma ou duas horas depois de ter adormecido, quando o ciclo de sono profundo termina de repente e a criança não acorda completamente. Ele apresenta-se tipicamente agitado, muitas vezes a gritar de olhos abertos, com o olhar fixo e movimentos descoordenados, todo transpirado, sem responder aos apelos dos pais para se acalmar. Isto deixa os pais extenuados e perturbados, sem saber como agir. Quando o episódio termina, a criança volta a adormecer e não se lembra de nada do que aconteceu.

Estes terrores relacionam-se sobretudo com o medo de perder a mãe, do esquecimento do pai, medo do escuro, de alturas, de animais ferozes, de ladrões maus, de crianças agressivas, etc. Podem ainda estar relacionados com mudanças importantes na vida da criança, tais como entrada no infantário, nascimento de um irmão ou ausência de um dos pais.


Nesta idade, as crianças lutam para distinguir o real do imaginário. O sentimento de medo é real, por mais absurdo que possa parecer. Deve-se, por isso, transmitir segurança à criança, tentando não se mostrar ansioso. 

 
O que fazer durante um terror noturno? Algumas dicas...

1. Não tentar acordar a criança, uma vez que esta não a irá ouvir e poderá, inclusivamente ficar mais agitada (normalmente o episódio demora 1-10 minutos);
2. Assegurar que na área em torno da criança não há objetos com que se possa magoar;
3. Acender a luz.
4. Confortá-lo, abraçando-o.
5. Ouvir os seus receios com atenção.
6. Respeitá-lo, porque o medo que sente é real.
7. Uma explicação honesta não vale a pena.
8. Dizer-lhe que os pais estão no quarto mesmo ao lado e que não vão permitir que algo de mau lhe aconteça.
9. Dar-lhe a oportunidade de enfrentar e resolver os seus problemas sozinho, com os seus próprios recursos.
10. Oferecer-lhe um objeto de conforto (p.ex. o peluche preferido) ou deixar uma luz de presença acesa.
11. Não superproteger, uma vez que poderão prolongar o medo.

O que fazer para dar segurança e tentar reduzir os episódios?

1. Tentar encontrar soluções em conjunto para enfrentar o medo:
- Antes de dormir, dar-lhe um beijo especial, que vai “afastar os maus";
- Pegar na vassoura e "varrer" para fora do quarto os medos;
- Comprar um peluche que seja "um verdadeiro protetor do quarto"';
- Espalhar umas gotinhas de um "perfume mágico" que vão impedir que aquilo que provoca medo na criança entre;
- Espreitar debaixo da cama e no interior dos armários para demonstrar que estão vazios.

2. Reduzir, dentro do possível, as situações de tensão durante o dia da criança;

3. Estabelecer uma boa rotina de sono, evitando a fadiga.

Nunca é fácil lidar com os terrores noturnos mas é preciso lembrar que na maioria dos casos vão passar com o crescimento da criança, sem necessidade de outras ajudas ou intervenções. No entanto, se os sintomas persistirem e achar que não está a conseguir ajudar o seu filho, deve procurar a ajuda de um profissional, regra geral um psicólogo ou pedopsiquiatra.

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