No contato diário com as crianças e os seus cuidadores surgiu a vontade de criar um blog que pudesse ajudar todos aqueles que se dedicam a cuidar de crianças, a cumprir essa dura e exigente tarefa da melhor forma possível.

Por isso, aqui vai encontrar informações básicas, conselhos e curiosidades sobre o universo de saúde da criança, desde os primeiros cuidados, às doenças mais comuns, passando pela vacinação e alimentação. O objetivo é que este seja um cantinho de reflexão, educação e troca de experiências, que forneça pistas e truques úteis ao acompanhamento da criança desde a conceção à emancipação.

De referir que, além do espaço de comentários no final de cada publicação, foi criada uma área independente, “O Cantinho das Dúvidas”, onde pode expor as suas questões ou sugerir novos temas a abordar.

Dada a enorme diversidade que existe de médico para médico, de mãe para mãe e de criança para criança, os textos aqui publicados pretendem apenas ser mais uma sugestão e uma ajuda, não devendo ser interpretados como regras rígidas a seguir. De sublinhar que nenhuma das informações, comentários ou respostas emitidos neste site substitui a consulta presencial com o médico assistente da criança.

Translate

Pesquisar neste blogue

sábado, 3 de agosto de 2013

Obstipação no primeiro ano de vida

1. O que é a obstipação (prisão de ventre)?
A obstipação não é mais do que a prisão de ventre. Pode ter múltiplas causas, desde lesões anais, neurológicas, endocrinológicas, metabólicas e medicamentosas (suplementos de ferro e/ou de vitamina D) mas a verdade é que em 90-95% dos casos é idiopática, ou seja, de causa desconhecida. Estima-se que 3% dos bebés apresentem obstipação, sendo esta responsável, segundo alguns estudos, por 3% a 5% das consultas de pediatria geral e 35% das consultas de gastroenterologia pediátrica.

2. Como devem proceder os pais? Que tratamentos são recomendados? Os laxantes, os clisteres e os supositórios de glicerina estão incluídos nesta lista?
Apesar de ser variável, regra geral, nos primeiros dias de vida o recém-nascido evacua a cada mamada. Com o tempo, isto vai mudando e o n.º de evacuações por dia vai diminuído. Há bebés que passam a fazer uma vez por dia e outros que se mantêm durante muito tempo com várias evacuações diárias. Quando surge a dificuldade em evacuar o importante é estar atento aos sinais: o bebé faz força, fica vermelho e chora intensamente, apesar das fezes até muitas vezes serem semilíquidas/coalhadas. Trata-se de uma descoordenação entre o ânus e o reto: o bebé faz força para evacuar mas, por imaturidade, o esfíncter anal não abre. Costumo dizer aos pais que a ajuda a estes bebés deve ser feita através de uma série de degraus de tratamento que vamos subindo ou descendo, consoante as medidas forem ou não resultando:




  • Massagens na barriga, com movimentos no sentido dos ponteiros do relógio e/ou de cima para baixo; o ideal é fazê-las todos os dias e numa altura em que o bebé esteja relaxado, pois a massagem, além de permitir um momento de interação com os pais, surte mais efeito se for feita de forma preventiva e não apenas no momento em que queremos que o bebé evacue;
  • Movimentos firmes de flexão e extensão das pernas e coxas sobre a barriga (tipo “bicicleta”); as indicações são as mesmas que as das massagens;
  • Estimulação do esfíncter anal, sempre com cuidado; pode ser feita de diferentes formas, consoante o nível de obstipação - através de uma toalhita tocando no esfíncter ao limpar; da ponta de um cotonete hidratada com creme/vaselina; ou de uma cânula de Bebegel® lavada, cortada e untada com creme/vaselina; caso nenhuma destas medidas surta efeito deve ser utilizada a cânula do Bebegel® com o seu conteúdo.

  • Na maioria dos casos, e a menos que o bebé não evacue mesmo, não estão indicados outros tratamentos. 
    A partir do quarto-sexto mês, com o início da diversificação alimentar, a dieta do bebé surge como uma importante ajuda na resolução da obstipação. A ingestão de água é essencial e deve ser incentivada (nunca em substituição de uma refeição mas como complemento). A ingestão de algumas frutas (ex.: manga, papaia, ameixa) em detrimento de outras (ex.: banana) é aconselhável. O incentivo à ingestão de purés de legumes (muito ricos em fibras) e outros “truques” como o acrescentar azeite cru a esses purés após a cozedura são também importantes!
    Nos poucos casos em que as medidas anteriores não forem suficientes, ou se tiver dúvidas, deve recorrer ao médico assistente do seu bebé. Isto porque é possível iniciar fórmulas infantis (leites em pó) anti obstipantes e, eventualmente, laxantes e clisteres, mas regra geral só após se confirmar que existe mesmo uma obstipação, que esta não é causada por nenhuma doença orgânica com tratamento específico, e se excluir as causas iatrogénicas (obstipação causada por um tratamento/medicamento).

    3. Em que consiste o diagnóstico feito pelo médico? O bebé é submetido a que exames?

    Na maioria dos bebés, a história clínica e o exame objetivo permitem o diagnóstico. Contudo, em situações mais resistentes e crónicas pode ser necessário referenciar a consultas mais específicas, nomeadamente de gastroenterologia pediátrica, e/ou realizar exames complementares de diagnóstico (ex.: radiografia simples do abdómen, clister opaco, biópsia) variáveis caso a caso.

    Sem comentários:

    Enviar um comentário